Uma grande mulher do rádio: Simone Vieira Sales (in memorian)
“Direto dos estúdios da Rádio Cultura, repórter: Simone Sales”.... uma assinatura que finalizava a notícia, sempre com o seu jeito inconfundível na emissora de rádio AM de João Monlevade. Entre os anos da década de 1990 até o ano de 2004 mais ou menos, a voz de Simone Sales ecoava nos lares da cidade e de toda a região do Médio Piracicaba. Era pela rádio que Simone era conhecida numa época em que não havia rede social que pudesse identificar a “moça da rádio”. Com sua voz doce e dicção perfeita para noticiar os fatos, ela tinha algo que a diferenciava dos demais: sensibilidade.
Mulher aventureira, decidida, bonita, mãe de três filhos lindos, inteligente e muito sensível com os acontecimentos ao seu redor. Foi policial militar numa época em que eram poucas e raras mulheres na carreira da área de Segurança Pública. Depois, seguiu seu caminho como repórter em jornal impresso e depois rádio. E, antes de falecer em 2015, cursava Pedagogia pela Universidade Federal de Ouro Preto (pólo de João Monlevade). Sua história é muito viva e inspiradora, pois ela amava viver e não desanimava diante das adversidades.
Para a filha Jéssica Vieira Sales, hoje advogada em Mariana, a mãe sempre foi uma mulher forte. “Eu não acho que ela teve medo de trabalhar na Polícia Militar, ela sempre gostou de aproveitar as oportunidades”, pontua recordando que a mãe pediu a saída pois seria transferida da cidade de Pouso Alegre (onde trabalhava na época), para atuar em Belo Horizonte. O que não seria compensadora tal alteração.
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Retornando a João Monlevade, ela encontrou o seu ponto forte. Escrever. E, para quem conheceu e conviveu com Simone, ela era realmente uma grande repórter com faro jornalístico como poucos e poucas. Tinha o faro para boas pautas e excelentes furos, que na linguagem jornalística é quando detém exclusividade num determinado assunto. E, essa qualidade é citada pelo jornalista e antigo colega de trabalho, Marcelo Melo. “A Simone foi minha repórter uns tempos na rádio e ela era meio fuçadora”, brinca o comunicador lembrando o quanto ela tinha o faro jornalístico para ótimas pautas.
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Uma das qualidades de Simone citada por outro colega da imprensa era a sua sensibilidade. O editor do jornal Bom dia, Sérgio Henrique Braga, conta que trabalhou com Simone na época em que ele era repórter do diário e Simone, repórter da rádio. Ele recorda das inúmeras vezes em que iam realizar matérias juntos, geralmente envolvendo pautas policiais. Sérgio recorda do dia em que foram cobrir um acidente na BR381 com vítimas fatais. “Estava fazendo umas fotos e de repente ela sumiu. Quando vejo, ela estava sentada no meio-fio com a tristeza que estava passando a família que tinha perdido o ente querido. Ela era desse tipo. Tinha um coração gigante” , lamenta.
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A jornalista Anágnia Flois, também conviveu com Simone Sales na imprensa. Não é a toda que Anagnia guarda até hoje um cartão natalino feito pela amiga. “Falar de Simone Sales automaticamente associamos a imagem dela ao rádio. Antes de conhecê-la, admirava seu trabalho na função de repórter policial. O tempo passou e tive a honra de ter contato profissional, ampliando ainda mais a minha admiração por ela. Era detentora de um olhar sensível frente aos problemas dos outros. Nos aproximamos e nos tornamos amigas. Pessoa simples e de uma grandeza interior imensurável. Mãe apaixonada e dedicada. Partiu cedo, mas deixou seu legado, no rádio e na vida. Deixou saudades”, recorda com carinho a jornalista.
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Para outra colega de imprensa, a jornalista Nívia Martins, a sensibilidade era a marca registrada de Sales. Ela fala emocionada sobre a afinidade de alma, algo muito raro nos tempos de hoje onde poucas são as amizades verdadeiras. “Tenho um carinho grande por ela e doeu muito quando partiu. A conheci em 1999 e já atuava na área do jornalismo. Tinha uma sensibilidade fantástica para pautas e assuntos diferenciados e buscava histórias e pessoas. Não só nas matérias de Segurança Pública que ela era boa. Ela ia muito além disso, ia do básico à notícia com um novo olhar. Se ela estivesse aqui, com certeza estaria fazendo um trabalho muito bacana também em qualquer empresa de comunicação que estivesse por conta desse olhar diferenciado. Tenho muito carinho pelo legado dela”, comenta Nívia.
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Simone escritora
A jovem advogada conta que a mãe gostava muito de escrever poesias e contos infantis. “Ela escrevia muito bem e era uma defensora dos livros. Vivia cuidando de todo mundo, se importava muito com as pessoas, tinha uma empatia enorme. Era uma mãezona e um grande exemplo para a gente”, emociona ao contar.
Essa habilidade em escrever também é compartilhada pelo editor do jornal A Notícia, Erivelton Felício Braz, que em 2000 editava uma revista literária junto com o amigo Márcio Reis. “Ela tinha habilidade e sensibilidade e era entusiasta da produção poética da cidade. Fazia matéria na rádio falando da revista, divulgava esse trabalho alternativo. Deixou muitas saudades quando partiu”, explica.
Um dos contos preferidos da filha Jéssica escrito para o site Recanto das Letras
Márcio Passos, proprietário do Jornal A Notícia também trabalhou com Simone. Para ele, Sales era uma grande repórter. Ele brinca que ela era além de divertida, também distraída. Trabalharam juntos no jornal e também na emissora de rádio. “Era uma excelente repórter, mesmo sem formação acadêmica como eu. Ela e o Marcelo Melo (Jornal Morro do Geo) são ainda hoje insuperáveis na capacidade e no faro para encontrar notícias, principalmente aquelas que os autores tentam esconder. Simone de uma sensibilidade ilimitada e era um ser humano com um coração do tamanho do mundo e uma simplicidade invejável. Era muito engraçada e vivia agradecendo pela vida. Episódios bacanas foram muitos porque ela era tinha um grande senso de observação de detalhes. Recordo que ela não via diferença em aparecer para trabalhar num dia com roupa simples e no outro dia com roupa de festa, ou até mesmo levar um ou dois filhos para o local de trabalho. Adorava abraçar as pessoas e, viva fosse, estaria sofrendo muito mais que todos nós com o isolamento social. Não acredito que deixou inimigos nesta vida, mas sim uma lição diferenciada de encarar tudo com bom humor e respeito. Era muito divertida e senti muito sua morte ainda nova”.
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Créditos Fotos: Jornal A Notícia, Anselmo Oliveira, José Carlos Rolla.










Linda homenagem, fico muito feliz em saber o carinho e as recordações que vocês guardam dela.
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