O velho Emanuel dos Pés descalços
Descalço a beira da estrada, lá vai o velho Emanuel a cantarolar. Os mais próximos diziam que ele tinha mais de cem anos. Mas quando perguntavam sua idade, suspirava, olhava o céu azul de um lado, as montanhas do outro e sorria para dizer que faltava pouco para completar trinta. O velho Emanuel tinha os pés rachados devido o caminhar na terra vermelha. Não era muito de calçados. Gostava de sentir o pulsar da terra na sola dos pés. Sua pele era da cor da noite e seus cabelos brancos como o algodão que brotava no quintal. Gostava de ouvir o barulho das rodas do carro de boi na estrada empoeirada. Era ele a referência por aquelas bandas para benzer a meninada do quebranto: “ Gaio de arruda, gaio de alfazema, Deus te benze e te cure em nome de ‘NoSinhora”, Seu Jesus e o Espírito Santo. Deus zela as ‘virtude’ Amém” . De embornal nos ombros, os pés descalços e o chapéu de palha, lá vai o velho Emanuel na estrada. Aos cavaleiros, acenava com o sinal da cruz e em agradec...