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Créditos da foto: Decom-Diocese Itabira
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Montanhas separam duas cidades: Itabira e João Monlevade.
Mas, é entre essas montanhas que está inserido o coração do padre Carlos. Ou
melhor, do padre Carlos Jorge Teixeira. Mineiro de Itabira e monlevadense de
coração, padre Jorge é dentre os
sacerdotes que mais permaneceu em João Monlevade. Foram 24 anos na
cidade da qual deixou um grande legado nas paróquias em que foi pároco. Sem dúvida, seus passos na cidade foram muito
marcantes e seu posicionamento sempre
esteve ao lado dos menos favorecidos. Atualmente,
ele é vigário paroquial na Paróquia de São Gonçalo, em São Gonçalo do Rio
Abaixo.
Entrevistei
o padre Jorge em vários momentos em que estive como repórter, bem como nas atividades na rede Cáritas. Mas, foi no ano
de 2006, que tive a conversa mais delicada. Era mês de setembro e infelizmente como repórter eu teria que entrevistar o padre em um momento muito difícil para ele. Foi quando o bispo emérito da Diocese Itabira/Coronel Fabriciano, Dom Mário Teixeira Gurgel faleceu deixando uma tristeza no peito de muitos. Inclusive do padre Jorge. Fiz as
perguntas pelo telefone, mas a voz trêmula e até baixa deixou-me comovida naquele dia. A comunidade se despedia de um bispo muito querido, mas, o padre Jorge, havia perdido um pai, um amigo, um conselheiro e também, ambos eram parecidos na preocupação com as causas sociais.
Na época, ele citou que o bispo era um homem piedoso e também piadoso (devido
as piadas que costumava contar nas celebrações). Acredito que foi o único
momento durante os poucos minutos ao telefone que o padre Jorge conseguiu se soltar e talvez, tenha dado um leve
sorriso mesmo com a voz embargada.
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Padre Jorge também escreve livros de auto ajuda, poesias e religiosos Foto: Arquivo Facebook |
Outro passagem inesquecível foi em 2011, quando um pastor evangélico, presidente da Casa
Legislativa de Monlevade na época, retirou o crucifixo que ficava no plenário. Houve uma
grande revolta por parte da comunidade e foi o padre Jorge que esteve a
frente junto com outros fiéis pedindo a
volta do crucifixo num diálogo sincero com o pastor e vereador na época.
Padre Jorge, quem era
o Carlos Jorge Teixeira antes do vocacionado? Onde o senhor morava e como era
sua vida com os seus amigos e família?
Nasci em Itabira, no seio de uma família religiosa,
principalmente por parte de meus pais. Desde criança já dava os primeiros
sinais de minha vocação participando da missa das crianças aos domingos,
"batizando" as bonecas de minhas irmãs. Na adolescência e parte da
juventude vivia uma vida comum: futebol, música, festas...mas sempre tendo
tempo pra Deus. Era um jovem comum, mas já cultivando a vocação, sobretudo nos
grupos de jovens e na PJ. Sou de uma família de músicos e sempre tive facilidade
pra cultivar amizades.
O senhor sempre teve a vontade de seguir o
sacerdócio? Como foi esse chamado para a vida sacerdotal?
Como eu disse acima, minha vocação foi sendo cultivada ao
longo da caminhada, até a decisão de ingressar no seminário aos vinte e dois
anos.
O senhor foi muito
próximo do grande Dom Mário Gurgel que nos deixou em 2006. Quem foi Dom Mário
em sua vida?
Dom Mário: segundo pai, conselheiro, amigo, confidente,
irmão. Presença em todos os momentos, nas alegrias e nos desafios.
Nestes anos em
Monlevade, qual foi o momento mais feliz. O que mais o tocou de forma positiva
na cidade?
Sem dúvida a paróquia Nossa Senhora da Conceição marcou
muito positivamente meu sacerdócio. Destaco a participação, a regularidade e o
carinho com que sempre acolhido. Quanto as dificuldades, coloco nas mãos de
Deus e Nossa Senhora. Saí de Monlevade, mas Monlevade não saiu de mim. Era povo
bom e acolhedor!
O acompanho muito
na rede social e suas postagens nos últimos tempos tem sido de muita leveza e paz,
o que nos ajuda muito e nos dá esperança de que dias melhores virão. Como o
senhor tem se relacionado com as mídias sociais? Gosta de escrever?
Gosto muito de escrever. Acho que Deus me deu esse dom.
Gosto e não tenho medo de dizer o que penso. Acho que estamos aprendendo a
utilizar as mídias sociais com mais
senso crítico, bom senso e equilíbrio. Mas temos muito ainda para
aprender.
Os livros publicados são: Um olhar de ternura (pensamentos), Esperança em Cristo (mensagens para enfermos), Aos olhos de Deus, Sua vida, seu caminho (auto ajuda), Histórias que a vida conta e Caminhando com Maria
Há no cenário da igreja católica e também fora do templo, pessoas que gostam e estimam muito o padre Jorge. Dentre tantos amigos, há duas pessoas muito próximas ao padre. Uma delas é o José do Carmo Firmo, o Juninho . Grande evangelizador e cantor católico no Médio Piracicaba. Foi o padre Jorge que esteve em momentos muito importantes da vida de Juninho e a esposa Jaqueline Gomes. Foi o padre Jorge que celebrou o casamento de Juninho com Jaqueline e também batizou os filhos do casal.

"Sobre padre Jorge o tenho a falar é que assim ele chegou para Monlevade no período em que a gente precisava de um alento. Eu era muito jovem naquele tempo e recordo muito bem. Isso já vai fazer aproximadamente 25 anos e nós tínhamos ali um desejo ardente de tocar na igreja, de cantar e levar instrumentos. E, eis que ele vem e não só nos permite fazer isso tudo, como também ele institui as missas jovens aqui na paróquia e mais do que isso, ele também cantaria junto conosco. Ele cantava e ainda nos motivava a aprender outras canções. Eu me recordo de uma centena de situações em que ele colocou a gente a frente para que pudéssemos assumir determinadas funções que até então em Carneirinhos (Paróquia Nossa Senhora da Conceição) eram muito tradicionais ficando muito restritas a algumas grupos e segmentos da igreja.
Ele chegou quebrando um pouco disso e até que em um determinado momento ele criou a Missa Jovem e isso foi um fator muito marcante para mim, porque ele conseguiu reunir nessa missa, a Pastoral da Juventude, reuniu as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) com os grupos de jovens e a Renovação Carismática Católica através do grupo de Oração Água Viva (grupo que se iniciou no bairro de Lourdes na década de 1990). Assim, nós tínhamos ali uma Missa de domingo que era uma festa, era um verdadeiro encontro para que a gente pudesse se lembrar toda a alegria dentro do Cristo que estava se materializando naquela Eucaristia. Eu recordo como ele valorizava a gente, fazíamos teatro e ele sempre nos motivando cada dia mais.
Recordo também que nós trouxemos a João Monlevade na época, o Ministério Pentecostes e foi um evento no Centro Educacional que reuniu quase mil pessoas ali no teatro. Era um Ministério extremamente atuante dentro da Igreja Católica e expoente da música católica nacional pois estava fazendo sucesso com a música Sonda-me. Padre Jorge acolheu a vinda deles e nós fizemos um painel enorme na parede e o padre fez a abertura e o encerramento abençoando aquele encontro. Isso foi muito marcante e ele sempre tem essas coisas que deixa a gente muito surpresos né?
E claro que eu não poderia deixar de contar que de todos os momentos que a gente não consegue esquecer, foi a oportunidade que nós tivemos de celebrar o Dia do Trabalhador na Praça do Povo e foi assim uma festa.... era um mar de gente e naquele dia ele falou que não poderia deixar de cantar duas canções. Uma delas é a música do José Geraldo, ‘Cidadão’ e a outra foi “ O que é, o que é” do Gonzaguinha que ele gosta muito .
Ele foi uma pessoa que me ensinou muito e há uma frase que ele me disse certa vez que nunca mais me esqueci. Eu estava passando por uma situação muito difícil e teria de tomar uma decisão. Fui conversar com o Padre Jorge e ele me ouviu e me disse que haviam coisas que poderiam ser difíceis, mas que elas também seriam necessárias. A partir daí comecei a entender algumas coisas e coloquei isso para minha vida '.
Outra pessoa que possui profunda admiração ao padre Jorge, é o também padre, Nelito Dornellas, da Diocese de Governador Valadares. Eles possuem mais de três décadas de amizade e respeito.
Padre Nelito, grande amigo do padre Jorge
"Eu e o padre Jorge estabelecemos uma amizade muito profunda, sincera e verdadeira há mais de 30 anos, bem jovem ainda, recém ordenado. E o que me admira no Padre Jorge são as características muito próprias dele, primeiramente o senso de humor, ele tem um senso de humor invejável, ele é um poeta, um artista e ele sabe muito bem tirar proveito das coisas da vida. Ele sabe olhar a vida pelo lado belo, pelo lado bom, pelo lado positivo.
Padre Jorge não gosta do sofrimento, não gosta da dor, não gosta do luto, não gosta da injustiça, não gosta da miséria. Padre Jorge gosta do belo, o belo o encanta, a beleza salvará o mundo. A alegria salvará o mundo;
Padre Jorge não tem ódio, não guarda mágoa, não é vingativo, ele tem um coração puro, muito puro. E, eu posso dizer que o padre Jorge é quase concebido sem pecado original de tão pura é a alma do padre Jorge. É um homem sem maldade, é um homem do amor e da doação. É um homem da entrega e ele tem um profundo senso de justiça. E, a justiça o acompanha.
Outro elemento que muito destaca na pessoa do padre Jorge é o seu zelo espiritual, seu zelo com as coisas Sagradas e com as coisas litúrgicas. Como que ele canta uma Liturgia e em uma celebração!! Ele se extasia diante do Sagrado e esse extasiar-se o torna uma pessoa profundamente cuidadosa enquanto sacerdote" .
Nossa vida é um balaio de histórias, desde as tristes às mais alegres, porém cheinha de amigos para tornar tudo mais leve. (Fotos de rede social)
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